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Santo António Menino ao Alto
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Santo António Menino ao Alto

1 unidades em stock | SKU: RMSAAV

52,00 €  

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Medidas: 16cm altura e 13cm largura
Materiais: Cerâmica, canudo com poema preso com cetim de dupla face

Génese e Poema:

Santo António, padroeiro de Portugal, nasceu em Lisboa entre 1191 e 1195 e morreu na cidade italiana de Pádua a 13 de Junho de 1231. Conhecido também como Santo António de Pádua, foi um eloquente orador. Ligam-se a este franciscano lendas deliciosas e muitos milagres e é o protector dos noivos, dos pobres, das pessoas que desejam encontrar objectos perdidos e muitos outros.
O poema "O Passeio de Santo António" do poeta luso Augusto Gil (1873-1929) serviu de inspiração à artista cujo pai lho recitava quando criança. Por saber este santo tão próximo ao coração dos portugueses, a autora pretende, com esta peça, devolver a humanidade a este "bom monge", representando-o em cenas mais quotidianas em que todos nos reconhecemos.
Esta é uma peça feita a partir de molde original da artista Mané Pupo e reproduzida artesanalmente com as técnicas tradicionais do trabalho em cerâmica.

O passeio de Santo António

Saíra Santo António do convento,
A dar o seu passeio costumado
E a decorar, num tom rezado e lento,
Um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
O divino sermão piedoso e brando,
E nem notou que a tarde esmorecia,
Que vinha a noite plácida baixando...

E andando, andando, viu-se num outeiro
Com árvores e casas espalhadas,
Que ficava distante do mosteiro
Uma légua das fartas, das puxadas.

Surpreendido por se ver tão longe,
E fraco por haver andado tanto,
Sentou-se a descansar o bom do monge,
Com a resignação de quem é santo...

Um luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
O Menino Jesus baixou do céu,
Pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
Juntava o seu murmúrio ao dos pinhais...
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
Um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
Ele trazia... o coração no peito.

Sem suspeitarem de que alguém os visse,
Trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
- Oh Frei António, o que foi aquilo?...

O santo, erguendo a manga de burel
Para tapar o noivo e a namorada,
Mentiu numa voz doce como mel:
- Não sei que fosse. Eu cá não ouvi nada...

Uma risada límpida, sonora,
Vibrou em notas de oiro no caminho.
- Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
- Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho...

- Tu não estás com a cabeça boa...
Um passarinho a cantar assim!...
E o pobre Santo António de Lisboa
Calou-se embaraçado, mas por fim,

Corado como as vestes dos cardeais,
Achou esta saída redentora:
- Se o Menino Jesus pergunta mais,
... queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
E contra aquele amor sem casamento,
Pegou-lhe ao colo e acrescentou: - Jesus,
São horas...
E abalaram para o convento.

Augusto Gil

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